A racionalidade prática do professor é elemento constitutivo de sua cultura profissional.


QUEM É, O QUE PENSA E FAZ O PROFESSOR DA EJA – REFLEXÕES SOBRE AS TRILHAS METODOLÓGICAS DE UMA INVESTIGAÇÃO

17/06/2010 14:46

 

QUEM É, O QUE PENSA E FAZ O PROFESSOR DA EJA – REFLEXÕES SOBRE AS TRILHAS METODOLÓGICAS DE UMA INVESTIGAÇÃO

Jefferson Falcão Sales/MAE – UECE

            O artigo apresenta pesquisa em desenvolvimento sobre o ser professor da educação de jovens e adultos, mais precisamente sobre a construção de saberes e fazeres próprios a docência nesse contexto de trabalho. Esta problemática encontra-se no centro das reflexões sistematizadas nesse trabalho que aborda o caminho que vem sendo trilhado e os desafios metodológicos dessa trajetória.

1. Explicitando a problemática da investigação

A legislação educacional vigente (Constituição Federal de 1988; LDB 9.394/96; e o Parecer CNE/CEB nº. 11/2000) recomenda a busca de condições, de alternativas e de currículos adequados aos jovens e adultos atendidos nesta modalidade, levando em consideração suas experiências, seus saberes e conhecimentos. Contudo, o que se observa, de forma geral, são professores que não apresentam nem formação inicial, e muito menos continuada na área de formação de adultos. Em decorrência, muitos desses professores acabam por transferir suas experiências de salas regulares para salas de educação de jovens e adultos, situação que tem resultado, muitas vezes, na “infantilização” do processo de ensino e de aprendizagem ou na síndrome do coitadinho (“está muito cansado; tem muitos problemas; não vai conseguir mesmo; deixa seguir em frente; ninguém sabe como e nem pra onde ele vai”).

A ausência de formação específica para professores que atuam na EJA tem sido discutida por diversos autores (RIBEIRO, 1999; MACHADO, 2001; VASCONCELOS, 2005) como um dos problemas que agrava as dificuldades nos processos de ensino e aprendizagem de jovens e adultos. Embora esta seja uma questão preocupante ela não vem sendo alvo de atenção nos estudos produzidos no âmbito de programas de pós-graduação do Brasil. Haddad (2002) em balanço recente constatou que num universo de 198 teses e dissertações sobre a Educação de Jovens e Adultos produzidas entre os anos de 1986 a 1998, apenas 23 delas contemplavam a formação e prática docente. Tais estudos evidenciaram a falta de formação específica dos educadores de EJA como um dos principais entraves desta experiência educativa. Este, aliás, é um dos problemas que os Fóruns[1] de EJA vêm denunciando e exigindo do Poder Público ações que possam saná-lo.

É no quadro das contradições político-pedagógicas que permeiam a EJA no Brasil que seus professores vêm construindo um modo próprio de pensar e fazer nesta modalidade educativa. É esta forma particular de ser professor que vem sendo investigada, considerando que é pela análise dos mundos construídos pelos indivíduos a partir da sua experiência social que podemos reconstruir as identidades típicas pertinentes num campo social específico. Estas percepções ativas estruturam o discurso dos indivíduos sobre as práticas sociais especializadas graças ao domínio de um vocabulário específico, à interiorização de normas, à incorporação de um programa e à aquisição de um saber legítimo que permite simultaneamente a elaboração de estratégias práticas e a afirmação de uma identidade reconhecida (GOMES, 1993).

A investigação tem como foco a cultura profissional do professor da EJA e suas implicações para formação continuada. De modo mais específico, estuda o conteúdo da cultura docente no âmbito da educação de jovens e adultos, isto é, os valores, crenças, atitudes, hábitos e pressupostos substantivos compartilhados por este grupo profissional (GÓMEZ, 2001). O conteúdo da cultura docente traduz o que pensam, sabem e fazem os professores que atuam em dado contexto de trabalho. Apóia-se no seguinte questionamento: o que sabe, pensa e faz o professor que atua na Educação de Jovens e Adultos e quais as implicações destes elementos para seu processo de formação continuada?

Tais questionamentos tornam-se ainda mais pertinentes considerando a política[2] de implantação dos Centros de Educação de Jovens e Adultos, mais conhecidos como CEJA. Em Maracanaú[3], município cearense situado na região metropolitana de Fortaleza, encontra-se em desenvolvimento desde 1989 uma política pública de incentivo a formação de jovens e adultos no ensino fundamental e médio através da implantação de estabelecimentos dedicados exclusivamente a esta tarefa. É uma experiência inovadora, pois até então predominava o atendimento da EJA em salas de aula alocadas no turno da noite, como um apêndice do ensino oferecido nas escolas regulares de nível fundamental e médio.

No Centro de Educação de Jovens e Adultos de Maracanaú (CEJAM) se trabalha numa perspectiva de atender as demandas existentes no Distrito Industrial do município: mão-de-obra qualificada e certificada, ou seja, formação de jovens e adultos trabalhadores com condições de integrar os quadros de empregos de empresas e indústrias, isto porque em Maracanaú vive-se uma inversão de demandas: existem ocupações, mas falta pessoal capacitado. Os professores do CEJAM atendem um público que retorna a escola em busca de inserção no mundo do trabalho, cujas exigências são crescentes em torno dessa escolarização. São estes profissionais do ensino os sujeitos pesquisados. Eles desenvolvem sua ação num estabelecimento que tem uma organização do trabalho pedagógico específica para o público a ser atendido. Desenvolvem ações singulares que merecem uma atenção especial no sentido de lhes permitir uma formação continuada que atenda as demandas por elas sinalizadas.

Muitos são os desafios e dilemas de uma investigação sobre a cultura profissional docente. O delineamento de um caminho, de uma lente interpretativa e de um método investigativo, é um deles. As marcas desse percurso são detalhadas nos tópicos a seguir.

2. Pensar o professor no contexto do seu trabalho

            Para a compreensão da cultura docente dos professores do CEJAM, o trabalho hermenêutico da investigação terá como aporte de sustentação as categorias que envolvem o paradigma da razão prática docente[4]. Neste sentido, a apreensão dos elementos que compõem universo identitário do professor da EJA e as razões que lhe dão sentido e sustentação é possível tomando como base a idéia de saberes contextualizados[5]. Ao considerar o cotidiano prático-pedagógico em que está inserido o professor do CEJAM se constrói a oportunidade de captação da base de conhecimentos que o docente desta instituição articula e mobiliza na complexidade de seu trabalho. No entanto, para tal empreitada faz-se necessário uma escolha metodológica que nos permita uma melhor aproximação com objeto de estudo apresentado. A opção metodológica é o assunto do próximo tópico.

 

 

3. Investigar o professor em contexto - contribuições da Etnometodologia

 A investigação sobre a cultura profissional dos professores da EJA vem sendo desenvolvida com suporte no referencial teórico da etnometodologia. Por que esta opção?

A etnometodologia é o estudo dos etnométodos que são compreendidos como procedimentos usados cotidianamente pelos atores sociais como meios práticos de cumprimentos de normas e regras inerentes aos sistemas de interação social em que estão inseridos. Segundo Garfinkel, citado por Lapassade (2005, p.43-44), esses procedimentos são realizações práticas (instituintes) que produzem os fatos sociais (instituídos). Os estudos dos etnométodos na escola buscam desvendar os caminhos utilizados pelos atores sociais escolares (professores, alunos, diretores, etc) nas tomadas de decisão frente aos processos de aprendizagem, os métodos de ensino, eventos, paralisações e outras situações presentes no contínuo viver da escola. A etnometodologia se insere no grupo das teorias microsociológicas que integram um grupo de métodos de pesquisa que dão ênfase ao estudo da atitude natural do homem em seu mundo-vida e da maneira pela qual este é por ele constituído (LAPASSADE, 2005).

Na abordagem etnometodológica se considera os fatos sociais como realizações práticas; se parte da idéia de que a sociedade é constituída mediante as ações de seus atores, reiterando as palavras do criador da etnometodologia, H. Garfinkel: “os atores sociais não são idiotas culturais”. As pessoas agem não como máquinas ou por puro automatismo, nem sob o domínio das leis sociais ou psicológicas (por exemplo), mas em função de objetivos, de projetos, de finalidades, de meios, e de deliberações (TARDIF & LESSARD, 2005).

Sinteticamente, a abordagem etnometodológica privilegia as atividades interacionais que compõem o conjunto dos fatos sociais. É no contexto destas orientações metodológicas que o estudo se insere, haja vista este método possibilitar a compreensão do docente – educador de jovens e adultos - como construtor da realidade sócio-pedagógica que vive como professor, identificando os pensamentos, crenças e práticas componentes do contéudo de sua cultura docente. Como assinala Farias (2000), “um ator racional, competente e que utiliza diversos procedimentos e regras de ação na sua atividade quotidiana” e, portanto, com capacidade de explicar as razões que orientam seu agir profissional.  

Os argumentos apresentados até aqui ressaltam as razões que motivaram a escolha da etnometodologia como método de pesquisa. O desafio seguinte consistiu no delineamento de uma proposta investigativa que possibilitasse o estudo do que pensa, sabe e faz o professor que atua na EJA. Para tanto, estruturou-se a prática da pesquisa em três momentos: O CEJAM e seus Professores; A Prática Pedagógica dos Professores do CEJAM; e, Pensamento e Saberes Docentes na Educação de Jovens e Adultos.

            O CEJAM seus professores e alunos consiste no momento de aproximação inicial com a escola e seus profissionais. Esta etapa prevê coleta de dados visando compor um retrato dos professores do CEJAM. O intuito primordial deste momento é mergulhar no cotidiano da instituição mediante as observações diretas, visando caracterizar o trabalho pedagógico no CEJAM, o atendimento aos alunos, o tempo de trabalho e seus usos, as diversas atividades desenvolvidas nesse espaço (a exemplo das reuniões com a direção). A caracterização do CEJAM em seu aspecto físico, material, humano e pedagógico vem sendo realizada com apoio de um roteiro prévio de observação.

            Na etapa A prática pedagógica dos professores no CEJAM a atenção está centrada na racionalidade prática do fazer pedagógico dos professores. O objetivo principal é mapear e compreender o fazer pedagógico no CEJAM, buscando desvelar as certezas que dão suporte às decisões do trabalho docente nesta instituição de ensino.

            As observações da prática pedagógica subsidiarão o momento das entrevistas de explicitação, procedimento predominante noutro momento importante da investigação identificado como Pensamento e Saberes Docentes na EJA. Esta etapa busca colher dados sobre o que pensam os professores sobre esta modalidade, seu alunado e a instituição de trabalho que atuam, bem como acerca do que sabem sobre as políticas, conteúdos, objetivos e metodologias de ensino neste contexto de trabalho.

Concomitante a coleta de dados junto aos professores, vem sendo realizado também o levantamento e a análise de documentos de âmbito nacional, estadual e local (Quadro I). Este material tem possibilitado contextualizar e compreender a problemática a partir do discurso oficial, mapeando as intenções governamentais e da sociedade civil organizada expressa em textos, relatórios e documentos sobre a EJA a partir do final da década de oitenta, quando se verificam mudanças conceituais e estruturais na educação brasileira. No âmbito internacional, a “Declaração Mundial de Educação para Todos” (1990) abre uma discussão que se trava até os dias atuais sobre os novos rumos da educação mundial, destacando a educação de jovens e adultos para superação dos desafios sócio-políticos do século XXI.

É na esteira desse debate que emergem os Centros de Educação de Jovens e Adultos, contexto em que atuam os sujeitos da pesquisa. Quais os passos dados no processo de pesquisa delineado?

O momento de aproximação inicial com a escola e seus profissionais foi concluído. Ele forneceu informações importantes na definição dos sujeitos que ora participam do estudo. Constatou-se que no Centro de Educação de Jovens e Adultos de Maracanaú (CEJAM) atuam catorze profissionais. A maioria desses professores (onze) se encontram, recorrendo as formulações de Huberman[6] (1992) na fase da estabilização profissional (com dez a quinze anos de experiência); dois ainda se encontram no período de entrada (com até cinco ou seis anos de experiência), ou seja, em fase inicial de carreira; e apenas um na fase de diversificação (a partir dos vinte e dois anos de experiência), que antecede as etapas (serenidade e desinvestimento) caracterizadoras da fase final de carreira.

Outras informações que contribuíram para compor um perfil dos professores do CEJAM relacionam-se a sua formação inicial, natureza do vínculo profissional e carga horária de trabalho. Todos os docentes do CEJAM apresentam formação de nível superior (graduação); dois não são servidores públicos concursados, e também dois que trabalham apenas um turno nesse estabelecimento. Essa “fotografia” permitiu proceder a escolha dos sujeitos da pesquisa. Desse modo, elegeu-se como amostra um grupo de quatro professores, conforme mostra o Quadro 02.

Os docentes selecionados atuam em áreas de conhecimento e turnos diversificados, mais especificamente são professores das áreas de Linguagens e Códigos e Ciências da Natureza e Matemática. Todos trabalham dois turnos na escola e atendem tanto ao Ensino Fundamental como o Médio. Apresentam um tempo significativo de magistério e trabalham no CEJAM faz pelo menos dez anos, informação considerada de suma importância no processo de escolha destes docentes. 

Nas observações realizadas do cotidiano de trabalho no CEJAM, é possível entender a razão de se considerar este estabelecimento de ensino como diferenciado. A organização do trabalho pedagógico procura atender as características específicas do seu alunado. A escola possui um horário de trabalho ininterrupto, para que aluno trabalhador tenha oportunidade de estudar. Esta flexibilização do horário e do olhar pedagógico transmite ao professor do CEJAM sinais de que seu trabalho se configura como de uma importância sócio-econômica e política para aquela região (Maracanaú).

A autonomia oferecida ao aluno do sistema de educação à distância semi-presencial do Centro de Educação de Jovens e Adultos de Maracanaú promove o professor a uma condição de ator racional, competente que utiliza diversos procedimentos e regras de ação na sua atividade cotidiana, onde somente ele é capaz de explicar as razões que orientam seu agir profissional.

Referências Bibliográficas

BRASIL. Constituição da República Federativa do Brasil. 18.ed., atualizada e ampliada. São Paulo: Saraiva, 1998.

_______.Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional.Lei n.9.394,20 de dez.1996 a.

 ________. Diretrizes Curriculares Nacionais para Educação de Jovens e Adultos. Parecer CNE/CEB 11/2000, de 10 de maio de 2000- Brasília: CNE/MEC,2000.

CEARÁ. Diretrizes para Políticas: Educação de Jovens e Adultos no Ceará. Fortaleza: SEDUC, 2005.

CEARÁ. Perfil Básico Municipal de Maracanaú. Fortaleza: SEPLAN/IPECE, 2004.

FARIAS, Isabel Maria Sabino de. Docência no Telensino: saberes e práticas. São Paulo: AnnaBlume, 2000.

­­­­­­FREIRE, Paulo. Ação Cultural para a Liberdade e outros escritos. 6ºed. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1982.

GOMES, Rui. Culturas de Escola e Identidades dos Professores. Lisboa: Educa,1993.

GÓMEZ, Angel. I. Pérez. A cultura escolar na sociedade neoliberal. Porto Alegre: Artmed Editora, 2001.

­­­HADDAD, Sérgio. Educação de Jovens e Adultos no Brasil (1986-1998). Brasília: MEC/ Inep/Comped, 2002.

HUBERMAN, M. O ciclo de vida profissional dos professores. In: NÓVOA, Antônio. (org.) Vida de Professores. Porto Editora, 1992.

LAPASSADE, Georges. As Microssociologias. Brasília: Líber Livro Editora, 2005.

MACHADO, Maria Margarida. Especificidades de formação de professores para ensinar jovens e adultos. In: LISITA, Verbena Moreira (Org.) A formação do professor: políticas, concepções e perspectivas. Goiânia: Editora Alternativa, 2001, p.43-58.

MARACANAÚ. Centro de Educação de Jovens e Adultos de Maracanaú. Projeto Político Pedagógico 2005-2007. Jan, 2005.

RIBEIRO, Vera Masagão. A Formação de Educadores e a Constituição da Educação de Jovens e Adultos como campo pedagógico. Educação e Sociedade. Campinas, v.20, n. 68,1999.

TARDIF, Maurice; LESSARD, Claude. O Trabalho Docente. Petrópolis: Vozes, 2005.

THERRIEN, Jacques; DAMASCENO, Maria Nobre. Saber e prática social do educador. Relatório final de pesquisa. Fortaleza: UFC/FACED-CNPq, 1996.

_________________; SOUZA, Ângela. Cultura docente e gestão pedagógica: a racionalidade prática dos saberes do saber-fazer.   In: DAMASCENO, Maria Nobre; THERRIEN, Jacques. Artesãos de Outro Ofício: Múltiplos Saberes e Práticas no Cotidiano Escolar. São Paulo: AnnaBlume, 2000, p. 111-126.

_________________;LOIOLA,Francisco Antônio. Experiência e competência no ensino: pistas de reflexões sobre a natureza do saber-ensinar na perspectiva da ergonomia do trabalho docente.Educação e Sociedade.Campinas,ano22,n.74,p.155, 2001.

VASCONCELOS, Maria do Socorro. A dimensão multicultural na formação de alfabetizadores. Fortaleza, UNIFOR, 2005.

QUADRO 1 - Documentos em Análise

Instância

Documentos

Natureza

Data

 

Internacional

Declaração Mundial de Educação para Todos: novos rumos à Educação.

Declaração

1990

Declaração de Hamburgo sobre Educação de Adultos: agenda para o futuro

Declaração

1997

Declaração do Balanço Intermediário da V CONFITEA

Declaração

2001

 

Nacional

Relatório do Seminário Nacional de Educação de Jovens e Adultos

Relatório

1996

Artigos 36 e 37 da Constituição Brasileira

Lei

1988

LDB 9.394/96

Lei

1996

 

Parecer CNE/CEB nº. 11/2000

Diretrizes

2000

FUNDEF – Lei 9424/96

Lei

1996

Programa Fazendo Escola

Programa

1997

Relatórios dos Encontros Nacionais de Educação de Jovens e Adultos

Relatórios

1999-2005

 

 

Estadual

 

 

Plano de Educação Básica-Todos pela Educação Básica para Todos

Plano

 

 

1995

Plano de Educação Básica – Escola Melhor, Vida Melhor

Plano

2003

Diretrizes Norteadoras para os Centros de Educação de Jovens e Adultos

Diretrizes

2005

Relatórios do Fórum de Educação de Jovens e Adultos do Ceará

Relatórios

1999

 

Municipal

 

 

Plano de Educação Básica do Município de Maracanáu

Plano

1995

Plano de Educação Básica do Município de Maracanaú

Plano

2005

 Projeto Político Pedagógico do Centro de Educação de Jovens e Adultos de Maracanaú

Projeto

2003

Regimento Escolar do Centro de Educação de Jovens e Adultos de Maracanaú

Diretrizes

2005

 

QUADRO 2 - Sujeitos da Pesquisa

PROFESSOR SELECIONADO

DISCIPLINA MINISTRADA

TURNO DE TRABALHO

   FASE PROFISSIONAL

Professor A

Matemática

Manhã e Tarde 

Diversificação

Professor B

Português

~es

Manhã e Tarde

Estabilização

Professor C

Matemática

Tarde e Noite

Estabilização

Professor D

Português

Tarde e Noite

Estabilização

 



[1] Numa perspectiva emancipatória (FREIRE, 1982), estes fóruns fomentam a discussão tanto teórica e metodológica sobre a EJA, como integram frentes de batalhas em prol de uma política pública consistente e contínua para esta modalidade de ensino. É também nessa perspectiva que pode ser compreendida a posição da penúltima edição do Encontro Nacional de Educação de Jovens e Adultos, que defendeu a inclusão da EJA no FUNDEB, repudiando a exclusão ocorrida por ocasião do FUNDEF (fundo contábil que atendeu somente a demanda do ensino fundamental regular). 

[2]Atendendo os reclames da Constituição Federal de 1988, artigo 208, que garante a educação a todos aqueles que a ela não tiveram acesso, independente da faixa etária, e posteriormente pela Lei N° 9394/96, especialmente nos seus artigos 37 e 38, foram criados os Centros de Educação de Jovens e Adultos no Ceará, escolas inovadoras, que buscam exercer uma educação de inclusão, equalizadora, proporcionando oportunidades para aqueles que foram excluídos do processo de educação (CEARÁ, 2005).

[3]Maracanaú apresenta a segunda maior densidade demográfica do estado do Ceará, contando 193.879 habitantes. No ranking estadual o Índice de Desenvolvimento Humano deste município está em segundo lugar. No plano econômico, Maracanaú tem, na sua condição de Pólo Industrial da Região Metropolitana de Fortaleza, seu principal vetor de desenvolvimento (CEARÁ, 2004).

[4] A razão prática docente está diretamente relacionada aos saberes da experiência construídos a partir da prática pedagógica cotidiana, revelando a cultura docente em ação (THERRIEN&SOUZA, 2000).

[5] Conforme Therrien e Loiola (2001) os saberes contextualizados se elaboram a partir das características do contexto no interior dos quais os docentes evoluem. Estes saberes são classificados em curriculares, disciplinares e de formação, associados à cultura escolar (mundo sistêmico), e saberes de experiência e da prática social relacionados à cultura da experiência vivida (mundo vivido). Eles compõem o universo de referência do professor (THERRIEN & DAMASCENO, 1996).

[6] Huberman, afirma que 4 a 6 anos depois do início da profissão (fase de entrada), os professores entram numa fase de estabilização. De uma forma geral, esta fase é caracterizada pela atitude revelada pelos professores e que se manifestam plenamente integrados nas escolas, mas também revelam uma grande independência e domínio nos conteúdos, nos métodos e técnicas pedagógicas. È a fase de consolidação de um repertório pedagógico. Vale ressaltar que este autor afirma ainda que estas fases sejam vividas sempre pela mesma ordem, nem que todos os elementos de uma dada profissão as vivam todas (HUBERMAN, 1992).

 

 

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